In Verbis: janeiro 2006

31 janeiro 2006

Futebol








O futebol nacional conheceu na última jornada mais um derby – o Benfica vs. Sporting.

É evidente que a vitória da equipa visitante foi indiscutível e inquestionável. O que não parece ser tão evidente, é a forma inacreditável como o Benfica jogou ao longo de praticamente todo o encontro – ou talvez seja melhor dizer, o que não jogou.
Os jogadores da equipa da casa parecem ter sofrido de uma autêntica paragem cerebral colectiva ou amnésia quase total, já que esqueceram tudo o que de boas exibições têm realizado nas últimas semanas. Assim é difícil ganhar o que quer que seja.

Esperemos tratar-se de um mero acidente de percurso, e que se tiver de voltar a perder, pelo menos que o faça de forma condigna, isto é, tendo a consciência de tudo ter feito para ganhar o jogo e não como neste clássico do nosso futebol do qual nos fica uma má recordação, pelo menos para os benfiquistas.

15 janeiro 2006

Presidenciais

Vamos voltar a ter eleições. Que bom, não chega a hora de ir votar. Receio até, não conseguir dormir nesta semana que antecede o acto eleitoral – tal não é a expectativa.

Chama-se a isto, voltar a embaralhar e a dar jogo, pois a Oeste (da Europa) nada de novo.

O único aspecto positivo destas eleições é o facto inegável de que o actual Presidente da República deixará de o ser, o que por si só, já constitui um grande alívio para todos os portugueses. Finalmente, vamos deixar de ver as aparições ridículas do Dr. Sampaio a viajar pela IC 19, a acompanhar a GNR nas suas operações, a emitir opiniões por duas razões – por tudo e por nada. Uma necessidade de protagonismo perfeitamente absurda e desnecessária, que só lhe fica mal. Muitas vezes, a quase querer sobrepor-se ao Governo. Tanto o fez, que viria a conseguir a dissolução do Parlamento, tão discutível, originando novas eleições legislativas em Fevereiro do ano passado.

Quando conseguiu os seus intentos, isto é, ter um Governo da sua cor política, deixou de ser tão interveniente, porque será?

O Absolutismo há muito que não existe, felizmente, e um sistema presidencialista, do tipo norte-americano também responde ao Senado. Por isso é bom que cada um saiba onde se deve situar. Pisar terrenos alheios ou que não são da sua competência, raramente dão um bom resultado.

Enfim, chegou a hora de ver partir o Dr. Jorge Sampaio. Deixa as luzes da ribalta mas não deixa seguramente saudades mesmo ao nosso povo que é tão saudosista.

Leituras

Acabei de ler há dias o último trabalho de José Saramago.

As Intermitências da Morte, foi o título escolhido para mais este romance do nosso Nobel da literatura. Para quem, como eu, leu todos os romances do autor, poderá estranhar uma certa ausência de imaginação nesta obra de ficção. Não que o tema se torne incómodo ao longo do livro – afinal a morte está presente nas nossas vidas – mas porque se torna tedioso, saturante. Apesar da fluidez da escrita a que já estamos habituados, falta conteúdo, algo de mais substancial. Destaca-se o primeiro terço da obra bem como o seu final, insólito e surpreendente como em muitos dos seus livros.

Esperava-se mais e melhor de um autor que nos presenteou com tantos livros notáveis.

10 janeiro 2006

Cinema




Recentemente fui ver o filme O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa: As Crónicas de Nárnia. Confesso não ser grande apreciador deste tipo de películas cinematográficas mas valeu bem a pena ver esta verdadeira pérola do cinema.

É certo que já estamos habituados a todo o tipo de efeitos especiais sobretudo do cinema norte-americano mas, na verdade, este filme é uma relíquia, um encanto. Devolve-nos ao tempo da nossa infância em que acreditávamos ser possível que os animais falassem.

Aqui, eles falam mesmo … e de que maneira.

Sinceramente, a não perder. Para miúdos e graúdos.